Numa família cheia de médicos nascia, eu, Luiz Felipe Guimarães
Andreoli, filho da Edy e do Luiz, o único que contrariou os Andreoli e foi ser
jornalista (é tudo culpa dele...). Quando eu vim ao mundo, tive que vir à
força, de fórceps (um instrumento que o obstetra usa caso o bichinho seja
preguiçoso e queira ficar lá no útero), e uma tia minha que nunca mais me
viu depois daquele dia, ao ver aquele Conehead saindo da barriga de
mamãe sentenciou: - Tadinho, nasceu com problema. Até que ela tinha
razão, o formato da cabeça ficou normal, mas o resto...
Desde pequeno a paixão pelo futebol, pelo esporte. Menino quietinho, não
dava muito trabalho. Tímido, bem tímido, só ficava chato, muito chato
quando tinha uma disputa na parada. Viciado em video-game virava as
noites com meu irmão e primos. Nessas madrugadas criávamos vídeos
amardores que seriam sucesso no youtube, mas eles sempre eram os
atores e mentores das películas, eu me contentava em ser um bom
coadjuvante.
Paixão mesmo era ir à Globo com meu pai, que trabalhou lá na década de
80. Eu era fã da Simony...rs, e morri de vergonha quando ele me
apresentou aquela "grande" estrela ( na época do Balão Mágico era
mesmo...). Adorava ver meu pai apresentando Globo Esporte, aquela
tensão antes do jornal ir ao ar, as máquina de escrever fazendo barulho
sem parar...ja imaginava meu futuro. Não deu outra...
Continuava vivendo dentro das emissoras junto com ele, e na TV
Bandeirantes me lembro das intermináveis 12 horas de show do esporte -
eu adorava, sabia tudo - cheguei a soprar alguns resultado do brasileirão
enquanto ele estava no ar, ao vivo, eu tinha uns 13 anos. Adorava comer
comida da Ofélia antes do Esporte Total e ver tudo o que acontecia nos
bastidores de uma grande emissora.
A faculdade veio só para pegar o diploma e seguir em busca daquilo que
eu queria desde os 6 anos, trabalhar na TV. Quando criança o desejo era
ser famoso, hoje é simplesmente fazer o que eu amo. Comecei cedo, com
19 anos o primeiro emprego na TV Record, como auxiliar de produção,
nom programa Em Busca do Amor, que fazia parte da programação
religiosa do canal. Foi uma grande experiência...fiz de tudo: edição,
switcher, produção de externa, legendava clipes românticos em
português...só não apresentava...isso era com o "Bispo". Mas chegou a
primeira experiência neste mesmo programa. Eles me deram um quadro
que se chamava "Se liga jovem", era um bate papo com adolescentes, e
temas como virgindade, ficar, traição...essas coisas. Eu tinha 19, 20 anos
e foi um barato. Depois eu sai dali para trabalhar na Rede Gospel. Foram 8
meses trabalhando ao lado do meu pai, Luiz Andreoli e Roberto Thomé,
outro grande nome do jornalismo, especialista em esportes. Ali comecei a
viver o que sonhava. Entrevista com artistas, da bola e do palco e com a
liberdade de fazer matéria diferentes, irreverentes, que sempre
acompanharam minha carreira.
Dali, com 21 anos fui para a TV Cultura. Foram quase 5 anos de
aprendizado e crescimento. Transitei por todas as áreas do jornalismo,
desde o hard-news, passando pela cultura, e claro, sempre perto do
esporte. Cobrir o dia-a-dia dos clubes, acompnahr finais de campeonato
de perto era uma alegria. Lá também tive o prazer de apresentar um jornal
diário, o Cultura Meio-dia. Foi lá também que fiz a primeira viagem
internacional. O Equador foi o destino. E na Cultura aprendi uma função
que é e ainda vai ser fundamental pra muitos jornalistas, e que sem dúvida
ajudou a formar meu estilo de reportagem. A videorreportagem (escreve
assim mesmo!), um formato do futuro e para o futuro.
A transferência para a Band foi como uma volta no tempo, 14 anos depois
eu voltava ao mesmo local em que meu pai trabalhou tanto tempo. Fiquei
pouco mais de um ano no esporte da emissora dos esportes...Cobri o Pan
do Rio, fui à Alemanha entrevistar os craques brasileiros, viajei pelo Brasil,
conheci uma monte de estádio, um monte de gente! Até o Mr. Bean eu
conheci...e entreguei a camisa de um grande clube do Brasil: o
Capivariano! Fui ao México e vi de perto o Miss Universo. Pé-quente,
quase que a brasileira ganhou, ficou em segundo. Foi divertido. Depois
desse ano movimentado fui convidado para fazer o CQC - Custe o que
Custar, onde estou desde março de 2008.



